domingo, 20 de janeiro de 2013


Se faziam tudo aquilo é que não tinham casa, nem pai, nem mãe, a vida deles era uma vida sem ter comida certa e dormindo num casarão quase sem teto. Se não fizessem tudo aquilo morreriam de fome, porque eram raras as casas que davam de comer a um, de vestir a outro. E nem toda a cidade poderia dar a todos. Pirulito pensou que todos estavam condenados ao inferno. Pedro Bala não acreditava no inferno, Professor tampouco, riam dele. João Grande acreditava era em Xangô, em Omulu, nos deuses dos negros que vieram da África. O Querido-de-Deus, que era um pescador valente e um capoeirista sem igual, também acreditava neles, misturava-os com os santos dos brancos que tinham vindo da Europa. O padre José Pedro dizia que aquilo era superstição, que era coisa errada, mas que a culpa não era deles. Pirulito se entristeceu na beleza do dia. Estariam todos condenados ao inferno? O inferno era um lugar de fogo eterno, era um lugar onde os condenados ardiam uma vida que nunca acabava. E no inferno havia martírios desconhecidos mesmo na polícia, mesmo no reformatório de menores. Pirulito vira há poucos dias um frade alemão que descrevia o inferno num sermão na Igreja da Piedade. Nos bancos, homens e mulheres recebias as palavras de fogo do frade como chicotadas no lombo. O frade era vermelho e do seu rosto pingava o suor. Sua língua era atrapalhada e dela o inferno saía mais terrível ainda, as labaredas lambendo os corpos que foram lindos na terra e se entregaram ao amor, as mãos que foram ágeis e se entregaram ao furto, ao manejo do punhal e da navalha. Deus no sermão do frade era justiceiro e castigador, não era o Deus dos dias lindos do padre José Pedro. Depois explicaram a Pirulito que Deus era a suprema bondade, a suprema justiça. E Pirulito envolveu seu amor a Deus numa capa de temor a Deus e agora vivia entre os dois sentimentos. Sua vida era uma vida desgraçada de menino abandonado e por isso tinha que ser uma vida de pecado, de furtos quase diários, das mentiras nas portas das casas ricas. Por isso na beleza do dia Pirulito mira o céu com os olhos crescidos de medo e pede perdão a Deus tão bom (mas não tão justo também…) pelos seus pecados e os dos Capitães da Areia. Mesmo porque eles não tinham culpa. A culpa era da vida…


Jorge Amado, in Capitães da Areia

domingo, 3 de junho de 2012

Salmo para Hoje!

Hoje Te louvo Senhor!
Dou-Te graças...pelas pessoas, pelos que me amam, pelas que me querem bem, por aqueles que são exemplo para mim e têm traços do teu rosto.
Dou-Te graças também por aqueles a quem não reconheço isso, pela provocação que são para mim para que seja mais!
Hoje Te louvo Senhor!
Dou-Te graças pelas mediações, pelos que são alerta para mim e me ajudam a chegar até Ti.
Hoje Te louvo Senhor!
Dou-Te graças pelo tempo, que marca ritmos e me obriga a marcar passos para não ficar parada.
Hoje Te louvo Senhor!
Dou-Te graças pelo bem que há em cada homem e mulher. Dou-Te graças pela Humanidade que me circunda, pela capacidade que temos de querer e ser mais.
Hoje Te louvo Senhor!
Dou-Te graças pela necessidade de comunhão que está inerente à tua Criação. A necessidade que temos de viver com o outro, de ser com o outro e de só com o outro darmos sentido à Vida.
Hoje Te louvo Senhor!
Dou-Te graças pela minha juventude, pela esperança que habita em mim de que é no amanhã que está o melhor, mas que é no hoje que está a possibilidade de o fazer acontecer.
Hoje Te louvo Senhor!

Eis-me aqui! Envia-me...ao mundo, envia-me aos teus, faz-me tua colaborante...agora, em que o tempo ainda não me comanda...

terça-feira, 13 de março de 2012



Quando pomos em causa aquilo que somos e aquilo que acreditamos em nós...
...será que é tempo de começar de novo?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Que o bom Abbá nos dê em abundância a sua divina Ruah,
a sua infância, e que nos desassossegue a todos
o mais rapidamente possível, porque o tempo urge... Amén!"

sábado, 24 de dezembro de 2011

"Brotará um rebento do tronco de Jessé,

e um renovo brotará das suas raízes.

Sobre ele repousará o espírito do Senhor:
espírito de sabedoria e de entendimento,
             espírito de conselho e de fortaleza,
                                 espírito de ciência e de temor do Senhor.
Não julgará pelas aparências
nem proferirá sentenças somente pelo que ouvir dizer;
                              mas julgará os pobres com justiça,
                              e com equidade os humildes da terra;
                              ferirá os tiranos com os decretos da sua boca,
                              e os maus com o sopro dos seus lábios.
                                              A justiça será o cinto dos seus rins,
                                              e a lealdade circundará os seus flancos.

         Então o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito: o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá. A vaca pastará com o urso, e as suas crias repousarão juntas; o leão comerá palha como o boi. A criancinha brincará na toca da víbora e o menino desmamado meterá a
mão na toca da serpente.

               Não haverá dano nem destruição em todo o meu santo monte,
                    porque a terra está cheia de conhecimento do Senhor,
                       tal como as águas que cobrem a vastidão do mar."

                                                                                         (Is 11, 1-9)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"No quiero cantar a Dios,
Si no hay brillo de Dios en mi
Para cantar sin vivir, mejor que calle.
La fuerza de la voz e la palabra,
Está en la exigencia de hacerlo vida.
No hay canto de Dios más fuerta e sereno
Que el nacido en el alma del canto.

Si no vivo lo que pienso, para qué pensar?
Si no vivo lo que escribo, para qué escribir?
Si no vivo lo que canto, para qué cantar?
Si no vivo lo que siento, para qué sentir?

Si no vivo lo que escribo, lo que canto, lo que siento,
Mejor callar,... mejor morrir!"

Autor desconhecido (para mim...)